A história do axé music brasileiro tem em “Milla” uma de suas canções mais emblemáticas. Interpretada por Netinho, a música alcançou enorme repercussão nacional na década de 1990, embalou carnavais e micaretas e se transformou em um dos maiores sucessos da carreira do artista baiano, que morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos.
Composta por Manno Góes e Tuca Fernandes, “Milla” ganhou projeção nacional com sua gravação ao vivo no álbum Netinho ao Vivo!, registrado em julho de 1996, em Aracaju, Sergipe. Produzido por Guto Graça Mello, o disco marcou uma fase de grande popularidade do cantor e contribuiu para consolidar seu nome entre os principais representantes do axé music.
O sucesso ultrapassou as expectativas da indústria fonográfica da época. De acordo com a biografia publicada no site oficial de Netinho, o álbum recebeu Disco de Diamante e vendeu mais de 3 milhões de cópias. A música conquistou espaço nas rádios de todo o país e ganhou versões em mais de oito idiomas, incluindo o russo, ampliando seu alcance para além do público brasileiro.
Da Banda Beijo ao estrelato nacional
Antes de alcançar o sucesso com “Milla”, Netinho construiu sua trajetória no cenário musical baiano como vocalista da Banda Beijo, entre 1988 e 1992. A experiência nos palcos contribuiu para desenvolver o estilo e a presença artística que marcariam sua carreira solo.
Em 1993, o cantor lançou o álbum Um Beijo pra Você, trabalho que apresentou sucessos como “Capricho dos Deuses”, “Total” e “Menina”. As músicas ajudaram a fortalecer sua popularidade e abriram caminho para o reconhecimento nacional alcançado nos anos seguintes.
Foi em 1996, entretanto, que “Milla” se tornou um fenômeno. A interpretação de Netinho transformou a composição em uma das músicas mais associadas ao auge comercial do axé music, gênero que naquele período conquistava cada vez mais espaço nas rádios, nos programas de televisão e nas festas populares de diferentes regiões do Brasil.
Uma música que atravessou gerações
O sucesso de “Milla” também está diretamente relacionado à expansão do carnaval baiano e das micaretas pelo país. Com uma sonoridade envolvente e forte apelo popular, a canção passou a integrar repertórios festivos e se manteve presente na memória musical de diferentes gerações.
Décadas depois de seu lançamento, a música voltou a ganhar visibilidade ao integrar a trilha sonora da novela Segundo Sol, exibida pela TV Globo em 2018. A presença na produção televisiva apresentou o clássico a novos públicos e reafirmou sua permanência na cultura popular brasileira.
Mais do que um sucesso radiofônico, “Milla” tornou-se uma referência de uma época em que o axé music ampliou suas fronteiras e levou a energia da música baiana para palcos, festas e celebrações em todo o território nacional.
O legado musical de Netinho
Embora “Milla” seja uma das canções mais lembradas de sua trajetória, Netinho construiu um repertório que inclui outros sucessos, como “Menina”, “Capricho dos Deuses”, “Pra Te Ter Aqui” e “Beijo na Boca”.
Sua carreira acompanhou um período importante da música brasileira, marcado pela consolidação do axé music como fenômeno nacional. Com seu estilo e suas interpretações, o cantor conquistou espaço no imaginário popular e ajudou a projetar a produção musical da Bahia para diferentes públicos.
Com a morte do artista, “Milla” ganha ainda mais significado para os fãs que acompanharam sua trajetória. A canção permanece como símbolo de uma geração, da força do axé music e de um repertório que continua presente nas lembranças e nas celebrações dos brasileiros.
Foto: Arquivo / Divulgação