Kellen Senra foi convocada pela segunda vez para prestar esclarecimentos sobre contratos que somam mais de R$ 870 milhões; comissão pretende comunicar as ausências ao TCE-MG e à Polícia Federal.
A ex-subsecretária de Desenvolvimento da Educação Básica Kellen Senra não compareceu, pela segunda vez, à audiência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) destinada a esclarecer possíveis irregularidades em contratos para aquisição de materiais didáticos firmados pela Secretaria de Estado de Educação.
A nova ausência ocorreu nesta terça-feira (04/08/2026). Segundo informação encaminhada à ALMG, Kellen Senra justificou o não comparecimento alegando estar em gozo de folgas compensatórias.
A ex-subsecretária já havia deixado de participar de uma primeira audiência, marcada para 8 de julho, quando informou que estava de férias-prêmio. As duas reuniões foram solicitadas pela presidenta da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, deputada Beatriz Cerqueira (PT).
Comissão critica nova ausência
Beatriz Cerqueira criticou a ausência reiterada e informou que pretende comunicar os dois não comparecimentos ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) e à Polícia Federal.
Segundo a parlamentar, Kellen Senra foi comunicada sobre o segundo convite com antecedência, em 15 de julho, mas a justificativa para a ausência teria sido apresentada somente na noite de segunda-feira (3), véspera da audiência.
Para a presidenta da comissão, a falta da ex-subsecretária reforça a necessidade de aprofundar a apuração sobre os contratos e buscar esclarecimentos diretamente junto à Secretaria de Estado de Educação (SEE).
Outras autoridades já haviam sido ouvidas pela comissão sobre o caso, entre elas o secretário de Estado da Casa Civil e representantes da Controladoria-Geral do Estado (CGE).
Contratos estão no centro da apuração
Durante a reunião, Beatriz Cerqueira apresentou um histórico do caso e afirmou que Kellen Senra teria sido responsável por contratos que ultrapassam R$ 870 milhões durante a gestão do ex-secretário de Estado de Educação Rossieli Soares, exonerado em abril após a CGE apontar indícios de irregularidades na execução do Termo de Contrato nº 9.462.760.
De acordo com as informações apresentadas pela deputada, uma denúncia sobre possíveis irregularidades foi recebida pela CGE em 16 de dezembro de 2025. Mesmo após esse registro, a SEE teria assinado o contrato em 23 de dezembro.
Quatro dias depois, em 29 de dezembro, teria sido efetuado um pagamento de R$ 172 milhões, correspondente à primeira parcela do contrato firmado entre a Secretaria de Estado de Educação e a empresa Fazer Educação Ltda.
A comissão busca esclarecer, entre outros pontos, quais foram as etapas percorridas na contratação e qual foi a justificativa para a continuidade do processo de pagamento mesmo após a formalização de suspeitas de irregularidades.
Segundo contrato também será analisado
Kellen Senra também havia sido convidada a prestar esclarecimentos sobre a execução do Contrato nº 9.501.223, firmado com o Consórcio Cdel-EBN, igualmente relacionado à aquisição de materiais didáticos.
A ausência da ex-subsecretária mantém sem resposta, até o momento, os questionamentos que a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia pretende esclarecer sobre a participação da ex-gestora nos processos de contratação e execução dos contratos.
As informações apresentadas durante a audiência correspondem às declarações e aos dados expostos pela comissão parlamentar. Eventuais responsabilidades e irregularidades ainda dependem da apuração dos órgãos competentes.
Foto: Divulgação