A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou o reajuste tarifário anual da Cemig, que resultará em aumento médio de 6,5% nas contas de energia elétrica em Minas Gerais. As novas tarifas entram em vigor nas faturas emitidas a partir de junho, com impacto integral percebido pelos consumidores nas contas com vencimento em julho.
De acordo com a decisão da Aneel, os consumidores de baixa tensão — categoria que engloba residências, pequenos comércios e propriedades rurais — terão reajuste médio de 5,21%. Já os consumidores de alta tensão, como indústrias e grandes empresas, enfrentarão aumento de aproximadamente 9,4%.
A Cemig atende atualmente cerca de 9,5 milhões de clientes em todo o estado. Segundo a companhia, o reajuste aplicado em Minas Gerais ficou abaixo dos índices registrados por distribuidoras de energia de estados como São Paulo e Rio de Janeiro, que tiveram aumentos superiores a 10% neste ano.
Setor industrial demonstra preocupação
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) manifestou preocupação com o impacto do reajuste, principalmente sobre o setor produtivo. Para a entidade, o aumento aplicado à alta tensão supera significativamente a inflação acumulada no período, estimada em 4,39%.
Segundo a federação, o avanço das tarifas de energia pode elevar os custos de produção das empresas, pressionar preços ao consumidor final e reduzir a competitividade da indústria mineira.
Entenda os motivos do reajuste
Entre os fatores que contribuíram para o aumento das tarifas estão os custos de geração e transmissão de energia elétrica, além dos encargos setoriais previstos no sistema elétrico brasileiro.
A Cemig também destacou o crescimento dos subsídios relacionados à geração distribuída, especialmente da energia solar. Dados da Aneel apontam que os subsídios do setor elétrico já representam cerca de 20% do valor pago nas contas de luz pelos consumidores brasileiros.
Em Minas Gerais, aproximadamente 21,14% do valor da tarifa paga pelos clientes da Cemig é destinado ao financiamento desses subsídios para diferentes segmentos do setor elétrico.
Somente em 2025, os consumidores da companhia contribuíram com cerca de R$ 4,2 bilhões em subsídios, valor 20% superior ao registrado no ano anterior.
Impacto será gradual nas primeiras faturas
Segundo a Cemig, o reajuste será percebido de forma gradual nas primeiras contas emitidas após a mudança tarifária. Isso ocorre porque parte do consumo ainda será calculada com a tarifa antiga e outra parte já utilizará os novos valores.
A companhia informou ainda que avalia, junto ao Governo de Minas Gerais, alternativas regulatórias e tributárias para minimizar os impactos das tarifas sobre consumidores residenciais e industriais.
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