Os sinos da torre direita da Catedral da Sé de Mariana começaram a ser restaurados na última segunda-feira (9), marcando a etapa final de um amplo processo de preservação do maior símbolo religioso e histórico da cidade de Mariana. A intervenção está sendo executada pela oficina do mestre sineiro Manoel dos Sinos e contempla os quatro sinos da torre direita do templo.
A ação encerra um ciclo iniciado em 2016, que envolveu a restauração estrutural e artística da Catedral, concluída em dezembro de 2022, além da recuperação do histórico órgão Órgão Arp Schnitger, reinaugurado em dezembro de 2025. Com isso, o conjunto patrimonial da Sé passa a operar plenamente, preservando uma tradição que acompanha Mariana desde sua fundação.
A restauração permitirá que a cidade atravesse o período da Quaresma com os sinos em perfeito funcionamento. No município, tanto os sinos quanto a arte do toque são registrados e tombados como bens culturais, reconhecendo sua relevância histórica, religiosa e identitária.
O trabalho, com previsão de conclusão em cerca de uma semana, inclui o nivelamento e balanceamento dos sinos, limpeza e lubrificação geral, fixação dos badalos com couro em substituição às antigas cordas, instalação de cabos de aço de segurança para evitar quedas, troca de dois badalos danificados e pintura das peças.
Os recursos utilizados são provenientes do Fundo Municipal de Proteção ao Patrimônio Cultural (FUMPAC), ligado ao Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (COMPAT) e à Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. A liberação ocorreu após a contratação do projeto pela Paróquia Nossa Senhora da Assunção e aprovação técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Para o pároco e reitor da Catedral, Geraldo Buziani, a manutenção dos sinos é essencial para a preservação de uma das mais importantes expressões litúrgicas e culturais da primeira diocese de Minas Gerais. “Os sinos são a voz da assembleia que responde a Deus. Eles anunciam a alegria com o toque solene e acompanham o luto com o toque fúnebre. Cuidar deles é preservar nossa história e nossa fé”, afirmou.
Manoel dos Sinos, que atua há mais de cinco décadas na manutenção desses instrumentos, destacou que a intervenção também tem como foco a segurança dos sineiros e dos fiéis, já que os sinos não passavam por uma manutenção completa há vários anos.
Segundo o padre Geraldo, outros sinos espalhados pela cidade também necessitam de intervenções, mas a prioridade foi dada à Catedral pela centralidade simbólica que ela exerce na vida religiosa e cultural de Mariana. Tradicionalmente, os sinos tocam três vezes ao dia e marcam momentos importantes do calendário católico, como a Quaresma, as festas dos santos e o falecimento de papas e bispos.
A preservação das tradições religiosas segue como prioridade do município. Para a Semana Santa de 2026, já está autorizada a liberação de recursos destinados à manutenção de elementos culturais das celebrações, como os tradicionais tapetes devocionais, que todos os anos atraem milhares de turistas e garantem alta ocupação hoteleira na cidade.
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