As cidades históricas de Minas Gerais reafirmam, em 2026, o protagonismo na preservação e na renovação do Carnaval mais tradicional do Estado. O Carnaval da Liberdade e da Tranquilidade 2026 nas Cidades Históricas foi oficialmente lançado no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, destacando uma programação ampla, diversa e voltada à valorização do patrimônio cultural mineiro.
A iniciativa é do Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), em parceria com a Cemig e a Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais. O projeto consolida Minas como um dos principais destinos carnavalescos do país, ao reunir tradição popular, inovação, segurança e opções de folia mais tranquila para diferentes perfis de público.
O lançamento contou com apresentações de blocos e grupos tradicionais de várias regiões do Estado, evidenciando a força cultural do Carnaval para além da capital. Participaram o Bloco Zé Pereira da Chácara, de Mariana, acompanhado da Charanga Oi’to Tontos; o Bloco de Percussão Ponto de Cultura Tapera Real, de Conceição do Mato Dentro; a Batucada das Minas e a Charanga Pop, de Tiradentes; e o bloco BatCaverna, de Diamantina.
Ao todo, a programação envolve 47 municípios integrantes da Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais, incluindo quatro patrimônios culturais da humanidade: Ouro Preto, Diamantina, Congonhas e o Complexo das Cavernas do Peruaçu, em Januária. Para a secretária de Estado de Cultura e Turismo, Bárbara Botega, o modelo valoriza a identidade mineira e impulsiona o desenvolvimento. “O Carnaval nas Cidades Históricas fortalece o turismo, gera emprego e renda e promove um carnaval diverso, democrático e seguro, sem abrir mão da preservação do nosso patrimônio cultural”, afirmou.
A expectativa é de impacto significativo na economia criativa e no setor turístico. Ouro Preto estima receber cerca de 60 mil foliões, com movimentação aproximada de R$ 20 milhões, enquanto São João del-Rei projeta impacto de R$ 50 milhões. Em Diamantina, a previsão é de 40 mil foliões por dia. Em 2025, o município recebeu mais de 350 mil pessoas e gerou cerca de R$ 30 milhões, reforçando a força do Carnaval tradicional.
Segundo o vice-presidente da Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais e prefeito de Diamantina, Geferson Burgarelli, o Carnaval nas cidades históricas vem retomando força. “Com o crescimento da festa em Belo Horizonte, houve uma queda no movimento em alguns anos, mas esse cenário está mudando. A cada edição, percebemos o retorno do público e o fortalecimento do Carnaval nas nossas cidades”, destacou.
Entre os principais símbolos dessa tradição está o Bloco Zé Pereira da Chácara, de Mariana, que completa 180 anos em 2026, ao lado do Zé Pereira dos Lacaios, de Ouro Preto, reforçando Minas como berço de alguns dos blocos carnavalescos mais antigos do Brasil.
Em Mariana, a folia acontece de 12 a 17 de fevereiro, com o tema “O mar de gente tem um gigante à frente”, reunindo desfiles de blocos, escolas de samba e shows no centro histórico, com destaque para as celebrações do quase bicentenário do Zé Pereira da Chácara. Já em Ouro Preto, a programação inclui mais de 50 blocos de rua, escolas de samba e grandes atrações musicais, além do Carnaval da Tranquilidade nos distritos de Lavras Novas e São Bartolomeu.
São João del-Rei e Tiradentes mantêm o perfil consagrado no Campo das Vertentes, com blocos tradicionais, marchinhas e ocupação dos centros históricos, valorizando a memória cultural e atraindo turistas em busca de experiências autênticas. Em Itabira, o tema “A Cor Dessa Cidade” inspira um carnaval descentralizado, com pré-carnaval, concursos e blocos nos bairros e distritos turísticos.
No Sul de Minas, Aiuruoca realiza a 86ª edição do Aiurufolia, considerado o primeiro Carnaval antecipado do Brasil, enquanto Bom Jardim de Minas promove o BJ Folia 2026, alinhado ao conceito do Carnaval da Liberdade. Também integram a programação cidades como Bom Jesus do Amparo, Sabará, Caeté e Lagoa Santa, que apostam em carnavais familiares, comunitários e seguros, reforçando a identidade cultural local e a ocupação dos espaços públicos.
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