Estado registra aumento de 18% nas mortes em águas naturais; rios, lagos e cachoeiras concentram os maiores riscos.
As altas temperaturas somadas ao período de férias e feriados prolongados têm elevado de forma preocupante os casos de afogamento em Minas Gerais. Dados do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) indicam que, entre janeiro e novembro de 2025, 246 pessoas morreram afogadas no estado, um aumento de 18% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram registradas 209 mortes.
Cachoeiras, rios e lagos, tradicionalmente procurados como alternativas de lazer no verão, concentram grande parte das ocorrências. Levantamento com base em dados do Ministério da Saúde mostra que, entre 2022 e 2024, Minas Gerais contabilizou 605 mortes por afogamento em águas naturais, considerando casos por queda ou entrada voluntária na água. Os meses mais críticos foram março, janeiro e fevereiro.
Feriados e calor ampliam o risco
Segundo o CBMMG, o ano de 2023 foi o mais letal da série analisada, com 227 óbitos, resultado de uma combinação entre o fim das restrições da pandemia e ondas intensas de calor. Já em 2024, o número caiu para 200 mortes, influenciado pela menor quantidade de feriados prolongados.
“O aumento de dias livres faz com que mais pessoas busquem lazer em ambientes aquáticos, muitas vezes sem conhecer os riscos do local”, explica o tenente Henrique Barcellos, porta-voz do Corpo de Bombeiros. Ele ressalta que períodos com feriados emendas ampliam significativamente o fluxo de visitantes e, consequentemente, os acidentes.
Municípios mais afetados
Entre as cidades com maior número de mortes por afogamento no período analisado estão Felixlândia, com 15 registros, seguida por Governador Valadares e Uberaba (12 cada), Divinópolis (11) e Juiz de Fora e Uberlândia (9). Também aparecem na lista Boa Esperança e Patos de Minas, além de municípios às margens do Rio São Francisco e do Lago de Três Marias.
Regiões turísticas como o circuito do Lago de Furnas e o Lago de Três Marias concentram altos índices, impulsionados pela grande quantidade de municípios e pelo intenso fluxo de visitantes em épocas de alta temporada.
Perfil das vítimas
A maioria das vítimas de afogamento em Minas Gerais é do sexo masculino. Dos casos analisados, 88% dos óbitos foram de homens. A faixa etária mais atingida foi a de 40 a 49 anos, seguida por adultos entre 20 e 39 anos.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, comportamentos de risco explicam parte dessa estatística. “Até os 30 anos, muitos homens tendem a se expor mais, subestimando os perigos, tentando nadar distâncias maiores ou saltos arriscados”, afirma Barcellos. O consumo de álcool também aparece como fator agravante, ao reduzir reflexos e percepção de risco.
Riscos invisíveis
As cachoeiras lideram as ocorrências atendidas pelos bombeiros entre 2022 e 2025. Além do risco de afogamento, quedas, pedras escorregadias e mergulhos em locais rasos aumentam a gravidade dos acidentes. Regiões como a Serra do Cipó e a Serra do Gandarela, muito procuradas por turistas, exigem atenção redobrada, especialmente de visitantes sem experiência em trilhas ou ambientes naturais.
Prevenção pode salvar vidas
Estudos apontam que até 90% das mortes por afogamento poderiam ser evitadas com medidas simples, como respeitar os próprios limites, evitar consumo de álcool antes de entrar na água, utilizar coletes salva-vidas em embarcações e manter vigilância constante sobre crianças.
Especialistas também defendem ações educativas, melhoria da sinalização em áreas de risco, demarcação de locais seguros para banho e reforço da presença de guarda-vidas em períodos de maior movimento. “Informação e prevenção são as principais ferramentas para evitar que momentos de lazer terminem em tragédia”, reforça o Corpo de Bombeiros.
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